a ciência por trás de um sorriso...
O Efeito Dominó da Perda Dentária: A Biomecânica da Destruição Oclusal
Extrair um dente e não o substituir imediatamente é, muitas vezes, visto pelo paciente como a resolução rápida de um problema. Contudo, em medicina dentária, a ausência de um único dente desencadeia um colapso arquitetónico lento, progressivo e severo em todo o sistema mastigatório.
Além do dente, perdem-se os tecidos que o rodeiam, Osso e Gengiva.
O osso alveolar (o osso que suporta os dentes) tem uma única função: segurar a raiz do dente. A Lei de Wolff dita que o osso se remodela e se fortalece em resposta às forças mecânicas que lhe são aplicadas. Quando se mastiga, a raiz transmite essa força ao osso, mantendo-o vivo e volumoso.
Quando um dente é extraído, essa estimulação desaparece. Como o corpo é altamente eficiente, entende que aquele osso já não é necessário e começa a reabsorvê-lo (dissolvê-lo). Nos primeiros 6 meses após uma extração, pode perder-se até 40% da largura e altura óssea na zona da falha. Esta atrofia dificulta a futura colocação de implantes.
Perde-se também a qualidade dos tecidos moles, da gengiva, fundamental para a futura reabilitação.
A Migração Dentária Patológica
Os dentes mantêm a sua posição através do contacto uns com os outros. A remoção de um dente rompe este equilíbrio estático:
- Inclinação Mesial/Distal: Os dentes vizinhos ao espaço vazio começam a inclinar-se e a deitar-se em direção ao “buraco”.
- Extrusão do Antagonista: O dente na arcada oposta (que mordia contra o dente perdido) não encontra resistência e começa a “descer” (se for no maxilar superior) ou a “subir” (se for na mandíbula), expondo as suas próprias raízes.
O Colapso Articular e Muscular
A inclinação e extrusão dos dentes alteram completamente a forma como as engrenagens da sua boca fecham (A Dimensão Vertical e Oclusão). Isto cria interferências oclusais (os dentes encaixam mal), forçando a mandíbula a desviar-se para fechar. Esta adaptação forçada sobrecarrega os músculos mastigatórios e a Articulação Temporomandibular (ATM), originando dores de cabeça crónicas, estalidos na mandíbula e desgaste prematuro de todos os outros dentes sãos.
Na Art Sorrisus, focamo-nos na preservação dentária. Mas quando a extração é inevitável, planeamos de imediato a reabilitação (seja com prótese fixa ou implantes) para travar este efeito dominó antes que ele se inicie, protegendo a sua anatomia funcional.
📍 Art Sorrisus – Alverca do Ribatejo
📞 Tm: 960010123 | 🌐 www.artsorrisus.pt
Referências Científicas:
- Craddock, H. L., et al. (2007). “Occlusal changes following posterior tooth loss in adults.” Journal of Prosthodontics. Demonstra detalhadamente a inclinação e extrusão de dentes adjacentes num curto espaço de tempo após a extração.
- Misch, C. E. (1990). “Density of bone: effect on treatment plans, surgical approach, healing, and progressive bone loading.” International Journal of Oral Implantology. Aborda a atrofia óssea por desuso (Lei de Wolff) e a importância da carga mastigatória.
- Kordass, B., et al. (2004). “The temporomandibular joint disorder and occlusal changes.” Journal of Oral Rehabilitation.
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