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A Anatomia da Cárie Dentária: Da Desmineralização Inicial à Infeção Radicular
A cárie dentária continua a ser a doença crónica mais prevalente a nível mundial. Compreender o seu mecanismo é o primeiro passo para a evitar e para valorizar a importância da intervenção precoce.
A Curva de Stephan e o Ataque Ácido
A cárie não é causada pelo açúcar diretamente, mas sim pelos resíduos gerados. Quando ingerimos hidratos de carbono (especialmente açúcares refinados), as bactérias cariogénicas na nossa boca (como o Streptococcus mutans) fermentam esses açúcares, produzindo ácido lático.
Este ácido provoca uma queda abrupta do pH da boca. Abaixo de um pH de 5.5, o esmalte dentário (a substância mais dura do corpo humano) começa a perder os seus minerais (cálcio e fosfato). Este processo de desmineralização repetido leva à formação de uma cavidade — a cárie.
A Progressão Silenciosa (Por que não dói inicialmente?)
O dente é composto por várias camadas, e a velocidade e os sintomas da cárie dependem de onde ela se encontra:
- Lesão no Esmalte (O Oportunidade de Reversão): O esmalte não tem nervos. Uma cárie aqui é assintomática (não dói). Frequentemente apresenta-se como uma mancha branca baça. Nesta fase, a intervenção mínima é possível. Aplicações de flúor em alta concentração, alteração da dieta e selantes podem remineralizar o dente, revertendo o processo sem recurso a brocas.
- Invasão da Dentina: Quando a cárie fura o esmalte e chega à dentina (tecido mais mole e poroso sob o esmalte), a progressão acelera drasticamente. A dentina tem túbulos microscópicos que comunicam com o nervo. Aqui começa a sensibilidade ao frio, ao calor e aos doces. O tratamento envolve a remoção do tecido infetado e repor o que está em falta com uma restauração .
- Infeção Pulpar (O Nervo): Se ignorada, as bactérias atingem a pulpa (o “nervo” do dente), causando pulpite irreversível. A dor torna-se aguda, pulsátil e espontânea. É aqui que a desvitalização (endodontia) se torna a única opção para salvar o dente.
Na Art Sorrisus, defendemos uma filosofia de Odontologia Minimamente Invasiva. Ao detetar as lesões precocemente com tecnologia avançada, preservamos a máxima estrutura dentária saudável, garantindo tratamentos mais rápidos, confortáveis e com maior longevidade biológica.
📍 Art Sorrisus – Alverca do Ribatejo
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Referências Científicas:
- Featherstone, J. D. (2004). “The continuum of dental caries–evidence for a dynamic disease process.” Journal of Dental Research. Explica o equilíbrio contínuo entre a desmineralização e a remineralização do esmalte.
- Pitts, N. B., et al. (2017). “Dental caries.” Nature Reviews Disease Primers.
- Frencken, J. E., et al. (2012). “Minimal intervention dentistry for managing dental caries – a review: report of a FDI task group.” International Dental Journal. O consenso global sobre tratar a cárie na fase mais inicial possível para preservar o dente.
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